terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Terapia

Tenho a forte sensação de ser passageiro de um carro sem motorista. Estar preso a uma viagem que não oferece a menor segurança, na qual o destino é incerto, sendo incerto, também, tudo o mais que a cerca. Acredito que esta impressão de descontrole sobre os rumos de minha vida não seja senão fruto das incoerências que permeiam meus desejos, sentimentos e atitudes. Incoerências que permeiam minha própria existência. Intento organizar meu proceder. Busco sucesso sob o manto da razão. Almejo viver em constante serenidade. Serenidade esta que me parece viável apenas pela harmonia substancial do ser. Meu objetivo cai por terra. Falho. Meus sentimentos são antagônicos entre si, minhas atitudes discrepantes, e quando mesclo sentimentos e atitudes, encontro apenas intersecções casuais. Parece que meu corpo, nada além de uma carapaça, é habitação de seres completamente díspares. Seres que não se comunicam, ou melhor,que não conseguem se comunicar.Será que a busca pela coerência é a maior das incoerências? Será que a coerência não passa de inglória utopia e preocupação vã? Woody Alen dizia que "a coerência é o fantasma das mentes pequenas". E o que seria uma mente pequena? E na hipótese de se definir mente pequena, qual a ligação entre esta e a busca pela coerência?Abandonei os instintos, cultuei a razão, inalei conceitos e valores. Fiz de mim um amalgama de externalidades. O que havia de legítimo em mim, meus instintos, tento a todo custo esconder. Escondo-o pelo seu viés animalesco. Não posso ser simples bípede, sou racional. Tenho conciência de minha própria existência.Não sou ignorante a ponto de achar que o que me aflige é algo ímpar. Sei de que as ditas ciências do comportamento humano, que a meu ver não passam de arte interpretativa, vomitam explicações sobre tal aflição. Gabam-se de abstrações pueris e baboseiras subjetivas. Tentam conferir cartesianismo ao que não passa de mirabolantes elucubrações infundadas, para ao final - A sessão de hoje foi muito produtiva (para o meu bolso). Nos vemos na próxima semana.

terça-feira, 25 de março de 2008

Feriado de pascoa

Feriado de pascoa - não trabalhei desde quinta-feira e milagrosamente decidi ir com meus pais pro interior. Saimos de São Paulo sexta de manhã. Descrever meu dia em Jacareí é tarefa que não exige muito, afinal o passei entre cochilos e reflexões dadaistas. Não, eu não optei por passar o dia assim, fui obrigado em razão das circunstâncias, já que meu pai ficou assistindo campeonato de sumô no canal japonês, frise-se, sem legenda, e minha mãe passou o dia rezando. Vale lembrar que meu pai não conhece uma única palavra em japonês, nem tampouco conhece as regras desta lipídica arte marcial. Haja saco!
Dá meio dia, eu estou morrendo de fome e, como sempre acontece em todas as sextas-feiras santas, não tem almoço em casa graças ao jejum de mamãe. Decidimos, então, meu pai e eu, ir ao shopping comer alguma coisa. Cerveja, medalhões de porco, cupim e a tradicional bacalhoada marcaram presença em nossa mesa. A bacalhoada que nos redime. Depois de nos refestelar-mos enquanto Jesus morria, chegamos em casa e relatamos toda a comilança, em seus pormenores, para Dona Inês. A reação de desaprovação era mais que esperada, era ansiada. Minha resposta a esta reação? Nenhuma. Pensei em dizer que a fé era dela e não minha, logo não era eu quem deveria arcar com seus ônus, mas não disse absolutamente nada. Acho que a tolerância esta folgando demais em mim.
Sábado em Jacarei. O tédio atingi níveis críticos e inacreditavelmente não estou irritado, nem distribuindo patadas, simplesmente faço minhas malas e peço ao meu pai que me leve para a rodoviária.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Falo mal mesmoooo

Meu pai sempre diz que quem ouve dos outros escuta de si, mas tem hora que é foda segurar a língua. Tem momentos que a melhor maneira de diminuir a irritação é metendo boca, falar pela s costas e deixar o veneno escorrer no canto da boca. Semana passada vivi uma dessas situações em que o alívio só vem depois de muita meteção de pau, muita falação pelas costas. A situação? Fui surpreendido com a péssima notícia da minha transfrência para a PJ da Família. Briguei com todos que julguei culpados. Fiz ainda pior - além de xingar e fazer cara feia pros culpados, não me despedi das pessoas que conviveram comigo, nos últimos 5 meses, durante o horário de trabalho. Algo perfeitamente compreesível pra alguem que adora fazer birra e não sabe encenar. Como de praxe, falei muitoo mal da minha Exxx chefe, falei mal do Assessor responsável pela minha transferência, falei mal do meu atual chefe e local de trabalho, falei do MP, do Brasil, do sistema capitalista, da vida e até do calor da Zâmbia que esta fazendo em São Paulo. O que ganhei com isso? Mas quem disse que nossas atitudes são sempre pesadas, medidas, quantificadas? Fiz o que me deu vontade de fazer. Agi como costumo agir quando me passam uma rasteira - caio de bunda e choro.

domingo, 13 de janeiro de 2008

REVEILLON 2008

Estava com a unha do pé encravada e sozinho em São Paulo, já que toda família tinha ido viajar. O relógio dava 3 da tarde quando decidi descer para Ubatuba e encontrar minha irmã e mais uns amigos, que estavam acampados na praia do Cedro. Peguei o ônibus no Tietê às 16:15. O trânsito fluia bem, tendo a viagem levado aproximadamente 3 horas. Desembarquei por volta das 19 horas no local esperado e pra alcançar a Fortaleza fiz uma caminhada de 2 horas, percorrendo mais ou menos 10 km. Alcancei a praia já era noite alta e sem lua. Breu total. E como desgraça pouca é bobagem, havia acabado a luz na região. Nas poucas mercearias do local tentei, sem sucesso, comprar uma lanterna. Situação bastante complicada, pois ainda tinha pela frente alguns quilômetros de trilha na mata fechada. Diz a sabedoria polular - Está no infermo, abraça o capeta" - decidi então fazer a trilha guiado pela luz do meu celular. A idéia só não era mais idiota porque eu já tinha feito este percurso algumas vezes, tendo, assim, uma boa lembrança do trajeto. De frente para o começo da trilha, olho pra mata, dou uma vacilada. Caralho, se eu não fosse tão ansioso passaria a noite na Fortaleza e terminaria a odisséia de manhã. Não tem jeito, não suporto a sensação de deixar algo inacabado. Respirei fundo, acendi o celular e pé na mata. A escuridão era tamanha que a luz do celular até parecia um holofote. A trilha fica num barranco elevado e é bastante estreita, mas o que dificulta mesmo é o fato de haverem muitos troncos caidos ao longo do percurso. Tudo isso, entretanto, não foi minha maior causa de medo. O que realmente me borrava todo eram os momentos em que eu esbarrava em alguma teia de aranha. A sensação da teia grudando no meu braço e minha imaginação fantasiando o maldito aracnideo caminhando pelo meu corpo deixavam-me em pânico. Vale lembrar que toda essa atmosfera ainda contava com a sinfomia infermal das cigarras. Depois de uma hora vivendo esse cagaço, e tendo a certeza de haver incluido mais uma imbecilidade na minha vasta lista, cheguei à praia do Cedro.
Surpresa total. Várias barracas e pessoas acampadas num local até pouco tempo deserto. Mais uma dificuldade se apresenta - como encontrar minha irmã e amigos em meio a tanta gente. Solução? Tentativa e erro. Assim fiz. Só não invoco Murphi e sua lei neste momento porque a barraca deles era a penultima. Caraaaca Swami, de onde você surgiu? Que surpresa cara!! Foi a recepção que recebi. Confesso que a sensação foi legal. Gosto de fazer coisas inesperadas, especialmente se forem um tanto quanto desprovidas de qualquer bom senso.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

ANIVERSÁRIO DO FELIPE

Domingo fomos comemorar, junto à Rainha de Copas, o aniversário de 24 anos do Felipe. Vou me abster de qualquer comentário previsivel sobre a data inglória.
Musica boa, especialmente da 1:30 até 2:15, intervalo em que o Felipe colocou pra tocar o set de musicas que ele e o Jean escolheram. Nada como vc colocar os outros para dançarem de acordo com sua música. Mas impagável mesmo foi subir com ele na pick up e poder dançar sem encostar em ninguem. Abrir os braços, dar umas rodadas e ter um vento gelado batendo nas costas, dentro daquele ambiente infernalmente abençoado, é algo realmente excelso.
Fim do set, saimos da pick up e fomos nos refestelar com a plebe. Confesso que criei essa frase completamente inútil apenas para poder usar a palavra refestelar. Adoro o termo refestelar, pena não ter muitas oportunidades para usa-lo. Pronto, agora estou refestelado.
De volta ao aperto e sem os holofotes que tão mal nos acostumam, encontrei um amigo com o qual curto conversar, apesar de não nos encontrarmos com frequencia. A conversa sempre é muito boa porque falamos as maiores imbecilidades usando palavras nada usuais. Exemplo disso é se referir a alguem como massa amorfa semovente.
Esta bem óbvio que meu senso de humor é natualmente negro e simplório, não sendo necessário qualquer tipo de entorpecente para aflorá-lo, entretanto umas gotas de alcool o potencializam.
Depois de algumas horas conversando, e o cansaço pela abordagem de algumas pessoas inconvenientes, o mal humor deu indícios de proximidade, e antes que eu mandasse alguém para o aconchego do lar, achei melhor bater em retirada. Me despedi, então, parafraseando vovô em seu último suspiro: FUUUIII.

domingo, 2 de dezembro de 2007

SABADO PRODUTIVO

Ontem, depois de um convite feito na quarta feira, fomos, eu e mais 3 amigos, até um Pub chamado Dublin para comemorar, com um amiga de faculdade, seus não seu quantos anos de vida.
Lugar absurdamente lotado, muitas pessoas tentanto entrar e 30 reais de entrada apenas para sorrir. As pessoas realmente gostam de sofrer. Mesmo com tantos pontos contra, ninguem arredava o pé da fila. Horas esperando alguém sair do Dublin para , então, poderem entrar. Permuta.
Eu,que já estou um tanto quanto velho e não tenha condições físicas e psicológicas para aguentar lugares entupidos de gente, as quais, via de regra, são extremamente desinteressantes, até quando falam asneiras, sugeri aos meus comparsas que procurassemos algum outro lugar.
Imbuidos deste espirito desbravador, eu, Borba Gato, Anhanguera e Raposo Tavares fomos a caça de algum lugar tranquilo na Vila Olimpia. Achamos o tal barzinho, sentamos, comemos, conversamos por algumas horas e demos ótimas risadas. Outros fatos compuseram esta cena, mas nem vem ao caso mencionar.
De barriga cheia fomos embora, mas como os efeitos da digestão ainda não tinham me afetado, estava sem sono e pedi para o Guilherme me deixar na porta de uma balada, que não convém aqui dizer qual era pois isso pode comprometer minha tentativa de parecer ser uma pessoa seletiva e enjoada.
Vale dizer que minha ida neste lugar tão insólito, o qual contou com a presença de Yuri Gagarin em sua inauguração, faz pate de um projeto de cunho sociológico, que foi amplamente discutido, em todos os seus pormemores, entre mim e o Dr.Alfafa (nome ficticio que não guarda qualquer similitude com a realidade) ,em momentos de muita transpiração intelectual.
Ressalto, ainda, apesar de não poder revelar neste instante os objetivos norteadores desta grande empreitada, os nobres interesses que a envolvem. Tanto assim o é que, demonstrando profundo apreço e consideração pelos seres que lá se divertiam em meio a orgias, música de péssimo gosto e decoração repugnante, eu não fui trajado com estopa e sim com uma camiseta recém comprada na Hering.
Termino este breve relato, enfatizando que após lgumas horas despendendo um olhar atento e altamente observador, colhi inumeras informações, sobre as quais não posso, ainda, concluir coisa alguma, pois elas devem passar pela análise de outros olhos.