domingo, 13 de janeiro de 2008

REVEILLON 2008

Estava com a unha do pé encravada e sozinho em São Paulo, já que toda família tinha ido viajar. O relógio dava 3 da tarde quando decidi descer para Ubatuba e encontrar minha irmã e mais uns amigos, que estavam acampados na praia do Cedro. Peguei o ônibus no Tietê às 16:15. O trânsito fluia bem, tendo a viagem levado aproximadamente 3 horas. Desembarquei por volta das 19 horas no local esperado e pra alcançar a Fortaleza fiz uma caminhada de 2 horas, percorrendo mais ou menos 10 km. Alcancei a praia já era noite alta e sem lua. Breu total. E como desgraça pouca é bobagem, havia acabado a luz na região. Nas poucas mercearias do local tentei, sem sucesso, comprar uma lanterna. Situação bastante complicada, pois ainda tinha pela frente alguns quilômetros de trilha na mata fechada. Diz a sabedoria polular - Está no infermo, abraça o capeta" - decidi então fazer a trilha guiado pela luz do meu celular. A idéia só não era mais idiota porque eu já tinha feito este percurso algumas vezes, tendo, assim, uma boa lembrança do trajeto. De frente para o começo da trilha, olho pra mata, dou uma vacilada. Caralho, se eu não fosse tão ansioso passaria a noite na Fortaleza e terminaria a odisséia de manhã. Não tem jeito, não suporto a sensação de deixar algo inacabado. Respirei fundo, acendi o celular e pé na mata. A escuridão era tamanha que a luz do celular até parecia um holofote. A trilha fica num barranco elevado e é bastante estreita, mas o que dificulta mesmo é o fato de haverem muitos troncos caidos ao longo do percurso. Tudo isso, entretanto, não foi minha maior causa de medo. O que realmente me borrava todo eram os momentos em que eu esbarrava em alguma teia de aranha. A sensação da teia grudando no meu braço e minha imaginação fantasiando o maldito aracnideo caminhando pelo meu corpo deixavam-me em pânico. Vale lembrar que toda essa atmosfera ainda contava com a sinfomia infermal das cigarras. Depois de uma hora vivendo esse cagaço, e tendo a certeza de haver incluido mais uma imbecilidade na minha vasta lista, cheguei à praia do Cedro.
Surpresa total. Várias barracas e pessoas acampadas num local até pouco tempo deserto. Mais uma dificuldade se apresenta - como encontrar minha irmã e amigos em meio a tanta gente. Solução? Tentativa e erro. Assim fiz. Só não invoco Murphi e sua lei neste momento porque a barraca deles era a penultima. Caraaaca Swami, de onde você surgiu? Que surpresa cara!! Foi a recepção que recebi. Confesso que a sensação foi legal. Gosto de fazer coisas inesperadas, especialmente se forem um tanto quanto desprovidas de qualquer bom senso.